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Por Fernando Rangel

 
 
 
Marcia Cisneiros – A pernambucana-carioca brasileiríssima.


 

Moradora do bairro da Glória, no Rio de Janeiro, Marcia Cisneiros destaca-se pelo fato de, como poucos artista, começou a pintar já na idade madura, ou seja, na idade de 50 anos. Agora, além de se reinventar como pintora, ela vem aprimorando sua arte dia a dia,exatamente por ser do jeito que é: como não tem medo de errar, a autodidata Marcia está sempre experimentando novos suportes e materiais, criando técnicas próprias, fazendo sua revolução artística particular.

Marcia Cisneiro nasceu no Recife e, desde cedo, já se destacava na carreira artística, mostrando-se uma atriz promissora. Fez muito teatro, inclusive sob a direção de Hermilo Borba Filho, e atuou no filme Crueldade mortal, do cineasta Luiz Paulino, mas enfrentava a dura resistência da mãe a essa sua escolha profissional. Assim, quando veio para o Rio, em 1968, ela acabou optando pela estabilidade e abandonou o palco.

Marcia Cisneiros  
 
Ao longo de muitos anos de trabalho como assistente social, Marcia Cisneiros acabou herdando de sua mãe e de tias receitas ricas e saborosas, tais como: biscoitos confeitados, o tradicional bolo-de-rolo pernambucano, tortas grandes para aniversário de criança, nas quais criava belas imagens com açúcar colorido. Na verdade, artista desde cedo sempre foi! Mas nunca imaginou que um dia viesse a se tornar uma pintora, e de alta qualidade: nas aulas de desenho, no colégio, era aluna apenas medíocre, e não lhe passava pela cabeça que fosse capaz de criar uma imagem especialmente bonita. Numa noite em que se encontrava muito cansada, começou a rabiscar com caneta esferográfica e viu se formar sobre o papel uma figura feminina parecida com ela. Espantou-se com a qualidade daquele quase auto-retrato. "Levei um susto!", conta. "Eu pensava: 'Que coisa incrível, nunca imaginei que soubesse desenhar, nem no colégio era boa desenhista, como é que pode uma coisa assim?' Gostei tanto que não parei mais".

No seu aniversário de seus 50 anos, mostrou aos amigos os muitos cadernos cheios de desenhos coloridos; todo mundo se encantou e a incentivou a continuar, a investir de verdade nisso, e uma professora de arte ajudou-a comprando-lhe tintas e pincéis. "Lembro-me dessa época como a mais feliz de minha vida", confessa Marcia. Logo após a maravilhosa descoberta, outros materiais foram entrando em sua vida: dos cadernos passou para os cartões, as telas, as bolsas de plástico; à caneta esferográfica veio se juntar o pastel, a aquarela, a tinta acrílica, o carvão, o lápis de cor e, ultimamente, as canetas coloridas.

Em 1996, Marcia pela primeira vez mostrou ao público o seu trabalho participando do movimento Arte de Portas Abertas, que envolve a maioria dos artistas de Santa Teresa. No mesmo ano, expôs sua produção numa coletiva no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, naquele bairro.

Em 97, foram duas coletivas, uma delas em São Paulo, na Casa da Cultura e Museu Barão de Mauá, e em seguida ganhou individual em Minas Gerais: sua obra ficou no Espaço Cultural Trianon, em Belo Horizonte, durante 40 dias, e teve enorme receptividade. Uma colecionadora mineira conheceu ali a arte de Marcia, comprou um quadro e se tornou cliente fiel: até hoje, sete anos depois, continua mantendo contato e adquirindo obras dessa pernambucana-carioca.

Em 1998, foram duas individuais e três coletivas, e ela disparou, produzindo também calendários de mesa. Cozinheira de mão cheia, em dezembro de 2000 lançou um livro com suas receitas, cheias de segredos aprendidos na infância e juventude em Recife: Poética da culinária reunia, além de delícias gastronômicas, textos em prosa e poesia belamente ilustrados pela própria autora.
 
  Em 2001, fez duas exposições individuais no Rio e uma em São Paulo e deu um show no programa de Rodolfo Bottino - o Gema Brasil, na TVE - falando sobre sua pintura e preparando, na hora, o famoso bolo-de-rolo.

Não demorou muito para que seu trabalho fosse descoberto por gente de outras áreas. Em 2002, a designer Sonia Goulart, autora do projeto gráfico do livro A questão de gênero no Brasil, editado por uma instituição voltada para a valorização da mulher, o Cepia - Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação -, enviou para o Banco Mundial, que dava apoio à edição, ilustrações de diferentes artistas, entre eles Marcia Cisneiros. E o Banco Mundial escolheu exatamente uma obra dela para enriquecer a capa do livro Cenas de um bar. No ano seguinte, ela foi contratada pelo Cebela - Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos - para realizar 12 trabalhos de pintura e colagem com fotos do falecido filólogo e acadêmico Antônio Houaiss; um deles foi escolhido para ilustrar a capa da revista cultural Comunicação &
“Amor no Carnaval” – acrílica sobre tela/2004  
 
  Política (edição de maio-agosto/2003), e todos os 12 quadros passaram a fazer parte do acervo fixo do Memorial Antônio Houaiss. Também em 2003 o quadro "Reflexão", lindíssimo trabalho em preto e branco retratando uma mulher nua ao espelho, foi o selecionado para a capa do livro Trabalhando com mulheres e Aids / Cartilha de orientação para multiplicadores, editado pelo Cepia com apoio do Ministério da Saúde, Secretaria Municipal de Saúde/RJ e UFRJ.

Além da pintura, ela se aventurou na escultura em barro: modelou lindas peças e vendeu todas em pouco tempo. Hoje fazem sucesso também suas criações em lápis de cor e em canetas coloridas, e os calendários ilustrados já se tornaram famosos – aliás, foi justamente isso que nos levou a entrevistá-la - no mês de dezembro muita gente vai a sua casa-ateliê especialmente para comprá-los e dar de presente de Natal. Embora só haja descoberto a vocação há poucos anos e nunca tenha tido aulas de pintura, Marcia Cisneiros já é conhecida nacional e
“sinfonia azul” – acrílica sobre tela/2004    
 
internacionalmente: agora seus quadros estão também em casas e escritórios da Inglaterra, França, Irlanda, Itália, Dinamarca, Escócia e Estados Unidos, entre outros países. Tipicamente brasileira nas formas e, sobretudo, na intensidade tropical das cores, a pintura de Marcia é puro reflexo de sua autora e é isso que fez com que nós da Revista Interatual trouxéssemos até vocês, meus caros leitores, a magia, a obra e a arte dessa brilhante artista, que muito nos honra em ser brasileiros.

Muito obrigado.
 
 

Márcia Cisneiros – Ficha Técnica
Artista Plástica

E-mail: marciacisneiros@yahoo.com.br

E X P O S I Ç Õ E S
INDIVIDUAIS

2004
Um certo olhar, obras em tinta acrílica, exposição no Gioconda Café – Rio de Janeiro/RJ – 11/03 a 01/04;

Campanha da não violência contra mulher, participação nos estados de São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro – Abril;

 

“pensatriz” – acrílica sobre tela/2004    
 

2003
Criação de 12 trabalhos em técnica mista, utilizando pintura e colagem, com fotos do imortal Antônio Houaiss, CEBELA – Rio de Janeiro/RJ – Março;

2002
Vôo de arribação, Centro Cultural Carioca, 17 telas em tinta acrílica – Rio de janeiro/RJ – Abril;

Lançamento do calendário 2003 com imagens da artista no CEDIM (Centro dos Direitos da Mulher) – Rio de Janeiro/RJ – Novembro;

2001
Galeria Café Ipanema – Rio de Janeiro/RJ – Novembro;

2000
Sol e sombras do meu quintal, Centro Cultural Laurinda
Santos Lobo – Santa Teresa – Rio de Janeiro/RJ – Abril;

1999
Galeria de Arte da Câmara Federal dos Deputados –
Brasília/DF – 03 a 05/08;

1998
Mostra de trabalhos durante o evento Artes de portas
abertas em espaço do Roteiro Gastronômico – Santa
Teresa – Rio de Janeiro/RJ – 24 a 25/05;

Café Encontro/IAB, Catete – Rio de Janeiro/RJ;

1997
Espaço Cultural Trianon – Belo Horizonte/MG – 14/10 a 22/11;

E X P O S I Ç Õ E S
COLETIVAS

2003
Espaço Galeria hall do Edifício Internacional, Flamengo – Rio de Janeiro/RJ;

2001
Presentes para Mauá, Casa de Cultura Museu Barão de Mauá – São Paulo/SP;

1998
Acervo, Galeria do SESC, Copacabana – Rio de Janeiro/RJ 14/10 a 14/11;

Universidade, Universidade Estácio de Sá – Rio de Janeiro/RJ – 02/03 a 30/06;

Dezoito novos, Galeria do SESC, Copacabana – Rio de Janeiro/RJ – 02 a 28/02;

1997
Galeria Trilhos – Santa Teresa – Rio de Janeiro – 29 a 30/11;

Casa da Cultura e Museu Barão de Mauá – São Paulo/SP – 07/07;

1996
Laurinda de portas abertas para as artes – Santa Teresa – Rio de Janeiro/RJ – 07/12;

Movimento Arte de portas abertas – Santa Teresa – Rio de Janeiro/RJ – 30/11 a 01/12;

Exposição permanente em galeria virtual NOVICA (National Geographic) – www.novica.com;

O U T R A S A T I V I D A D E S

2004
Campanha da não violência contra a mulher, participação nos estados de São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro – Abril;

2002
Lançamento do livro Poética da culinária, Festival Gastronômico de Tiradentes, apoio da Secretaria de Cultura de Tiradentes/MG – Agosto;

Lançamento do calendário 2003, com imagens da artista no CEDIM (Centro dos Direitos da Mulher) – Rio de Janeiro/RJ – Novembro;

Oficinas de Pintura com Educadores da ONG Solidariedade França-Brasil (SFB);

2001
Participação no programa Gema Brasil da TV Educativa – Rio de Janeiro/RJ – Maio;

2000
Lançamento do livro Poética da culinária, cozinhados e lembranças – Edição e ilustração da autora;

1999
Olhar feminino, perspectiva para o 3° milênio, IAB – Rio de Janeiro/RJ – 23 de Novembro;

Participação no programa Sem Censura, da TVE – Rio de Janeiro/RJ – Setembro;

Obra apresentada no cenário de Abrindo o jogo, programa exibido na TV Bandeirantes e na TVE, produção da Fundação Multirio – Rio de Janeiro/RJ – Jun/Jul/Ago;

1998
Participação no programa da TV Bandeirantes Cidade e educação, da Fundação Multirio – Julho;

1997/98
Coordenação de oficinas de pintura com crianças da Escola Municipal Machado de Assis através do Instituto Pacs (ONG Programa Alternativo para o Cone Sul) – Projeto criar, brincar, aprender, preservar, Santa Teresa/Rio de Janeiro/RJ;

VÍDEO
Para se olhar, de Ciça Lang, vídeo premiado em 2001 pela Secretaria de Cultura do Município do Rio de Janeiro/RJ;

ILUSTRAÇÕES DE CAPAS
Revista Comunicação e política, CEBELA, vol. 7, n° 2 – Maio/Agosto de 2000;

A questão de gênero no Brasil – CEPIA e Banco Mundial/2003;
Trabalhando com mulheres e Aids” – Projeto UNESCO apoio Ministério da Saúde, parceria CEPIA/UFRJ – Rio de Janeiro/RJ – 2003.

 
 
 
 
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