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Por Fernando Rangel
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A obra que ora vem a público traz uma visão crítica inovadora a respeito dos anos 1980, numa vertente crítica que leva a poesia de volta para casa, quando chamar uma obra de lírica, já implicava na junção poética e musical. José Roberto Silveira trouxe para seu trabalho um tema pouco abordado pela academia, muitas vezes por excesso de purismo, que é a aproximação da música com a literatura.
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O tratamento semiótico de transportar a poesia das letras do rock dos anos 80, para o universo da crítica cultural, amplia as possibilidades de compreender a chamada “geração perdida”. A obra dos compositores Renato Russo e Cazuza se expande na leitura de José Roberto através do conceito, por ele, formulado, “a poética da travessia”. Esse conceito operacional busca desvendar a forma cultural e crítica assumida por esses poetas em meio às grandes crises que marcaram essa geração: a volta da democracia, o crescimento do comércio e do uso das drogas, a Aids.
Toda a liberdade e a relação com o corpo advindas dos anos 60 sofrem um baque. Quem somos? Qual é o padrão de comportamento admitido pela sociedade? Como superar os anos de chumbo da ditadura militar? Essas e outras perguntas levaram à análise feita por José Roberto para as assim chamadas “escritas do eu”. |
| Capa do livro |
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Uma escrita que, de acordo com Jaques Derrida, revela e oculta o sujeito; escrita do pudor, a tomada de consciência do animal que logo sou (somos). Assim define essa escrita o filósofo argelino em seu livro O animal que logo sou, o autor como aquele que escreve entre a culpa e a confissão. O ato de velar e revelar, nos oferece o paradoxo que marca a produção do rock de Cazuza e Renato Russo.
A exposição dessa cultura nos media parece não combinar com o tratamento confessional de que trata Derrida. Entretanto, confessar alivia a culpa do não conhecimento completo de si. Assim, a poética da travessia se revela como um conceito operacional dessa época de transição, aquele que se escreve e escreve seu mundo, durante o fazer de sua obra e, ao mesmo tempo, e, ao mesmo tempo, fazendo a crítica desse tempo presente.
Poucos compositores dessa época conseguem entregar-se e integrar-se ao mesmo tempo como sujeito e objeto de sua escrita. Escrita de transição, escrita de revelação crítica, sem ser panfletária como a dos anos de ditadura. |
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José Roberto Silveira trata com leveza essa abordagem tão complexa de seu tema, tudo escrito também com seu toque poético. Uma linguagem crítica e poética, misto de criação e análise marca a escrita desse jovem autor. Esse seu primeiro livro, com certeza, ainda carregado de algumas marcas acadêmicas, revela para os leitores a capacidade e a seriedade desse escritor. Acompanhei de muito perto essa escrita, durante a orientação no mestrado, e, por isso, tenho certeza de que esse livro traz um pensamento independente, profundo que revela também, de certa forma a nova maneira de produzir crítica cultural por esses jovens autores. |
| Verso do livro |
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Prefácio da Profa. Dra. Suely Quintana
A geração 80 é movimento e consegue parar a beleza com a escrita. Ou pela escrita revelar a beleza do sujo. O poeta é dissonante. Não se teria uma poética, se não transformasse o feio, o sujo, o nojento, a dor, o sofrimento em lirismo. Era mais do que preciso transformar o tédio em melodia, era preciso inventar amores, era preciso inventar canções. Era preciso manter-se vivo e a vida foi mantida pela escrita e pelo canto. “Porque o meu canto é a minha solidão/ É a minha salvação/ Porque o meu canto é o que me mantém vivo”, finaliza a ultima estrofe, da última música, do último lado, do último disco de Cazuza – como cantou Renato Russo no dia da morte do seu companheiro de travessia.
O livro propõe uma leitura da produção escrita das obras musicais de Renato Russo e Cazuza como memórias-presentes, registro autobiográfico e confessional. Busca-se o desvelamento do eu e de sua geração através do registro “autobiográfico” das letras de rock que encenam a experiência da travessia da década de 1980. O trabalho parte da localização do sujeito no contexto sócio-histórico da redemocratização do Brasil, o que permite apontar as características que permeiam as produções artísticas e compreender as peculiaridades do rock desse período. Em seguida, tem-se a discussão da relação entre música e poesia, que perpassa pelos novos suportes tecnológicos para a arte na contemporaneidade. Analisam-se, então, os modos de inscrição do sujeito na sociedade a partir de sua obra poética e documental. As obras poético-musicais de Cazuza e Renato Russo são lidas como escrita autobiográfica e confessional. Observa-se que culpa e perdão se revelam e são buscados na materialidade da mesma palavra poética. E, finalmente, procura-se ouvir quais vozes dialogam nesses textos e perseguir os rastros na escrita polifônica do rock, na qual se entrecruzam poéticas e culturas diversas. A pesquisa que gerou o livro se fundamenta teórico-metodologicamente em Jacques Derrida, Mikhail Bakhtin, Octavio Paz, Eneida Maria de Souza e Michel Foucault. Os conceitos teóricos se diluem ao logo do texto, aproximando o conceito do poético, permitindo assim a leitura de Renato Russo e Cazuza como a poética da travessia.
Revista Interatual agradece a Paula Malta por sua colaboração na execução dessa matéria. Maiores informações
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| Veja ém em ATUALIDADES: |
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Pontualidade é fundamental
Não chegar no horário combinado pode ser associado pelo entrevistador como:
- Falta de compromisso;
- Ausência de interesse no emprego;
- Falta de planejamento.....
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Conheça alguns dos alimentos que a ciência já comprovou serem capazes de prevenir doenças e a quantidade indicada para potencializar seus benefícios* ....
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Olá, estamos de volta. E vamos continuar nessa trilha, mas... com cuidado para não escorregar...pois o tombo é feio..... |
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