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Por Oswaldo Coyote
Fotos: Acervo pessoal |
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O Sangue da Cidade começa o show acelerando: é um fogo que se espalha pelo chão, é a alma, o motor e o coração. O rock-and-roll apresentado dia 09 de setembro na inauguração da loja Vintage fez com que eu fosse embora completamente "chapado". "Chapado" por presenciar uma das melhores bandas de rock em atividade, digo atividade porque lembrei de algumas vezes, nos anos 80, quando assistia o programa do Chacrinha, onde o Sangue da Cidade tocava a famosa Brilhar a Minha Estrela, música que recentemente foi tema do filme Tropa de Elite.
O Sangue vai rolando veia abaixo rumo ao coração dos roqueiros, porque quem nasce com o rock impregnado na alma sabe o que estou dizendo e aproveito para repetir um trecho da música Alta Velocidade: "...Os motores e as estradas chamam por você. Essa chama é o nosso jeito de viver. O infinito sempre é nossa direção. É a alma, o motor e o coração..."
A Revista Interatual tem a honra de mostrar a história do Sangue da Cidade, por Gustavo Valladares. |
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“Somos o sangue de uma cidade, só o rock nos deixa à vontade...”
Este verso, retirado de uma das primeiras composições de Dicastro, acabou originando o nome da banda que surgiria a seguir... o Sangue da Cidade.
O ano de 1975 marcou a primeira apresentação ao vivo da banda, que chegou a se apresentar por outras duas vezes, ainda no final dos anos 70, em um programa da extinta TV Tupi que se chamava “Olimpop”. Mas eles fariam sucesso mesmo somente a partir da virada dos anos 80, mais precisamente a partir de março de 1982, através das ondas da saudosa Rádio Fluminense FM.
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| Sangue da Cidade: momento visceral. |
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"A Maldita", como era conhecida a emissora de Niterói, tocava o que as outras rádios não tocavam e passou para a história como a maior rádio rock que esse Brasil já teve, em todos os tempos.
O Sangue da Cidade era, então, uma das bandas mais executadas na rádio, sendo parte integrante do emergente rock nacional que, àquela altura, surgia com uma força incrível, ao lado de outras bandas como Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso, e outras mais.
A música “Hora do Rush” estourou na Fluminense FM. A banda passou a receber então vários convites pra tocar. Fizeram uma série de shows antológicos no Circo Voador, incluindo a própria estréia dessa famosa casa de shows, quando ainda se localizava no Arpoador (RJ), juntamente com a Blitz, o Barão Vermelho e o Atlântico Blues. Fizeram inúmeros shows com lotação esgotada, como no lendário Teatro Ipanema e no Canecão, ambos no Rio, e participaram do Festival de Juiz de Fora. |
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| Show no Leme em 1981 com Robertinho do Recife |
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O sucesso inicial através da FLU FM, em determinado momento, já não era suficiente, e a banda percebeu a necessidade de compor um material mais direcionado à música pop, ou um pouco menos pesado, digamos assim, com o objetivo de ganhar mercado e tentar atingir assim, um público maior. A missão era complicada: precisavam de uma música que fosse curtida não só pelo público underground, afinal o Sangue da Cidade era basicamente uma banda de rock, mas também pelos que ouviam as rádios mais populares.
Surgiu, então, “Dá Mais Um”, música que, por certo receio de problemas com a censura, rebatizaram como “Brilhar a Minha Estrela”. Dessa vez, eles acertaram o alvo na mosca: o Sangue da Cidade tornou-se um sucesso nacional. Dicastro & Cia. apresentaram-se, por exemplo em programas do saudoso Chacrinha- "O Velho Guerreiro", no Globo de Ouro e Cometa Loucura da Rede Globo. Todo o acervo musical da banda, incluindo os vídeos com estas imagens, pode ser baixado, gratuitamente, através do site oficial da banda: |
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| Sangue da Cidade 1975 |
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Passaram pelo Sangue da Cidade excelentes músicos como o próprio Dicastro, guitarrista e compositor da banda, além do baixista Ronaldo Jones e seu irmão Romney, os vocalistas Roberto Cartier e o Vid, além do tecladista PH, e uma verdadeira coleção de bateristas como Negão Vico, o saudoso Peninha, Otávio Henrique, Renato Massa e Rodrigo Grandão, que era quem detonava as baquetas na principal fase da banda, entre 1981 e 1984.
Por conta de brigas internas, o grupo acabou implodindo em pleno sucesso, com cada músico "vazando" pra um lado. O retorno só ocorreria mais de vinte anos depois, numa apresentação em 2007, durante as filmagens da Festa Ploc 2, no Circo Voador.
José Padilha, o diretor do aclamado Tropa de Elite, e que sempre foi um grande fã do Sangue da Cidade, desde o início do projeto, havia decidido homenagear a banda em seu filme. O tema escolhido foi justamente “Brilhar a Minha Estrela”, ou “Dá Mais Um”, que aparece com destaque na trilha sonora do longa, que conta a história do BOPE, a elite de nossa Polícia Militar. Sem dúvida, um dos melhores filmes nacionais já realizados em todos os tempos!
Tropa de Elite agradou em cheio aos críticos de cinema e ao público em geral, alimentando a pirataria é verdade, mas também lotando os cinemas por todo o Brasil. Contudo não foi só isso: o filme acabou animando também o pessoal da banda, que, por conta principalmente da repercussão do filme, anda planejando um retorno triunfal aos palcos, no ano que vem.
A gente fica então na torcida, e que 2009 realmente faça brilhar novamente a estrela de uma das bandas de rock nacional mais "PESADA" de todos os tempos... o Sangue da Cidade.
Fotos:
www.sanguedacidade.com.br |
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