Rio de encantos mil. A beleza desta ainda maravilhosa cidade, tão presente nas composições da nossa MPB, é algo muito fácil de se constatar. Mas, é preciso atentar para além – não muito longe, é verdade – das “muralhas” de prédios que nos rodeiam, quando não nos sufocam. Estou falando alguma mentira? Bem, vamos ao que interessa! Digamos que seja uma manhã de sábado ou domingo – dias que estranhamente temos a pior grade da TV aberta – e o dia está radiante. Não pense muito, deixe a preguiça de lado, chame um ou dois amigos e se entregue à natureza.
Quem desejar se aventurar, com certeza, terá histórias bem interessantes a passar. O Rio tem muitos lugares que a maioria dos cariocas desconhece! Temos a Floresta da Tijuca, de natureza exuberante, cachoeiras, trilhas incríveis, sendo a segunda maior floresta urbana do mundo, e o mais incrível: é logo ali, dentro da cidade e de fácil acesso. A Pedra Bonita, que proporciona um visual privilegiado, onde cariocas e turistas do mundo inteiro costumam ir para voar sobre a Cidade Maravilhosa com asas delta ou para-pentes e tantos outros lugares belíssimos, de tirar o fôlego!
É por isso, que as nossas trilhas devem ser desbravadas; lugares tão perto e que se tornam longínquos por àqueles que não permitem um único momento de relaxamento e reflexão! Então, em meio a tanta turbulência, vale à pena caminhar rumo ao bem-estar e uma respiração mais profunda, que nos acalme de tanta imposta agitação em nossas vidas. Pensando assim, o jornalista Jayme Rocha e o designer Gutto idealizaram o Projeto Trilhas Solidárias; uma iniciativa que conta com a participação de amigos, sem fins lucrativos, que através de trilhas e passeios, visa alimentar a alma e o corpo e mostrar o que o Rio tem de melhor!
O projeto teve duas edições: a Pedra Bonita e o Açude do Camurim, e cada aventureiro leva um 1 kg ou mais de alimentos não perecíveis que, ao final da caminhada, são entregues a instituições carentes. De acordo com Jaime, há muitos benefícios para alma de quem caminha, além de ser maravilhoso poder ajudar quem necessita.
- A Floresta da Tijuca tem inúmeras opções de caminhadas, seja a subida aos picos, como o da Tijuca ou o Bico do Papagaio, com visuais que revelam novos ângulos da cidade, ou as que levam às grutas; formações interessantíssimas a se explorar. Além dessas entre outras tantas opções, temos as quedas d’águas e cachoeiras, que se revelam aqui e ali, com um pouco de procura. Tudo bem que se encontrar oito da matina na Pracinha do Alto, no caso da Floresta da Tijuca, é para os dispostos, e antes que todos pensem se tratar de um programa de índio; bastam 15 minutos de caminhada, e aí o sono some de vez, e passamos a admirar a paisagem e oxigenar mesmo, nossos pulmões e por que não dizer, nossas almas?
A Primeira edição do Trilhas Solidárias foi na Pedra Bonita, uma trilha que além da diversidade de sua flora nativa (Mata Atlântica) e de algumas espécies da fauna, transforma a sua paisagem em uma atração à parte! O caminho é recheado por plantações de flores, áreas em reflorestamento, mirantes, áreas de mata fechada e no final da aventura ao alcançar o cume, uma magnífica vista do Rio de Janeiro: todos os setores do Parque Nacional da Tijuca (incluindo Pico da Tijuca, Corcovado, Pico do Bico do Papagaio, Agulhinha da Gávea, Morro do Cochrane, etc), Baixada de Jacarepaguá, Maciço da Pedra Branca, Barra da Tijuca, suas lagoas e praias, a orla da Zona Sul e a Lagoa Rodrigo de Freitas, a Baia de Guanabara, a região oceânica de Niterói, a monumental e enigmática Pedra da Gávea bem de frente, e se o dia estiver limpo e ensolarado, poderemos observar as montanhas da Serra dos Órgãos. |
Agora para o seu programa ser do “bem” e realmente impagável, é preciso reforçar algumas dicas: deve-se evitar percorrer sozinho uma trilha. Com amigos ou através de grupos que fazem ecoturismo, caminhar acompanhado é mais divertido e principalmente, seguro. Vá com uma roupa bem confortável, e um tênis “amaciado”, com um bom solado, anti-derrapante de preferência, para evitar as quedas. Para ficar tranqüilo mesmo, falta só o lanchinho: frutas frescas ou secas como uva e banana passa ou barras de cereais são sempre boas pedidas - além é claro, de uma garrafinha com isotônico ou água.
Algumas mudanças podem acontecer na vida de quem deseja se aventurar pelas trilhas do Rio de Janeiro. Acostume-se a voltar para casa, um pouco sujo, cansado e a ser chamado de maluco ou coisas do gênero, isso é normal! Pois além disso tudo, você terá um brilho indisfarçável nos olhos e uma sensação de bem-estar, que denunciarão que algo simples, porém indispensável à sua felicidade, ocorreu.
Os aventureiros que conheceram a Pedra Bonita, com toda a sua grandeza, ajudaram ao Orfanato Santa Rita de Cássia. Já os que estiveram no Açude do Camorim colaboraram com o ICP (Instituto Central do Povo). Para Jaime Rocha, é assim mesmo que funciona, pois nutre a alma de quem participa e o corpo daqueles menos favorecidos através dos alimentos.
- Embora a gente organize, a iniciativa é de todos que participam e que fazem a diferença! Na primeira trilha à Pedra Bonita, participaram 26 pessoas num dia lindo de sol, mas na segunda, ao Açude do Camorim, estava chovendo e ainda assim foram 16 pessoas, que para uma trilha é um grupo muito bom. Quer dizer, de coração aquecido, as pessoas encaram qualquer coisa e ainda ajudam a quem precisa. Este é o intuito do nosso projeto, porque caminhar faz bem, em todos os sentidos!- Declara Jayme.
Todos são bem-vindos. Caso queira saber um poco mais sobre o projeto, acesse a comunidade no orkut: Trilhas Solidárias, que conta também com um perfil de mesmo nome. Se inscreva e saiba das próximas aventuras. Todas as informações da próxima trilha estão na comunidade.
Mais informações pelo (21) 9173-4866 com Jayme, ou (21) 9947-9731, com Gutto.
Nós torcemos para que mais trilhas solidárias aconteçam e, assim, mais pessoas possam se beneficiar de corpo e alma. Conheça mais do Projeto Trilhas Solidárias que tem comunidade no Orkut: Trilhas Solidárias e saiba como participar das próximas edições. |