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Apuração: Fernando Rangel
Fotos: Fernando Rangel e Cíntia Segadas |
| “Uirá-yá-hu”, “Garajahú” e finalmente Grajaú. |
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Nessa edição a sua Revista Virtual de Verdade, trás para vocês, um pouquinho da história de um dos bairros mais charmosos e encantadores da Cidade Maravilhosa. Apreciem sem moderação!!!
Grajaú é um tradicional bairro de classe média e média-alta, com o terceiro maior IDH da zona norte carioca (0,938, perdendo apenas para Jardim Guanabara e Maracanã), extremamente arborizado, localizado na chamada Grande Tijuca, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro tendo como bairros vizinhos a Tijuca, Vila Isabel, Andaraí, Alto da Boa Vista e Engenho Novo, além de fazer limite através da Serra da Carioca com o bairro de Jacarepaguá.
Ao contrário da maioria dos bairros do Rio de Janeiro, o Grajaú foi planejado e surgiu nas primeiras décadas do século XX, edificado sobre um vale, conhecido como Vale dos Elefantes, ao sopé do Maciço da Tijuca, próximo à Pedra do Andaraí. Nessa época foram promovidos grandes loteamentos no Rio de Janeiro, ainda capital da República. Assim, terras de fazendas de café existentes no bairro foram incorporadas à malha urbana da cidade.
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O primeiro loteamento teria sido construído pela Companhia Brasileira de Imóveis e Construções e abrangeu as terras situadas entre a Serra do Engenho Novo e um caminho posteriormente denominado Rua Borda do Mato. A topografia era favorável. Outro loteamento, denominado Vila América, incluiu os terrenos próximos à atual rua Botucatu.
Quem mais expressou o crescimento urbano e a transformação da cidade no início do século XX, foi o historiador Brasil Gerson em especial no livro “História das Ruas do Rio”, narra com beleza singela a transformação da cidade, do bairro e a origem de seu nome. |
| Praça Nobel |
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(...) Dois anos depois é que a Primeira Grande Guerra começaria, mas só quando ela já estava da metade para o fim é que o Grajaú tomaria pouco a pouco a configuração de um bairro novo entre o Andaraí e o Engenho Novo, reduzido que ainda estava a um descampado, que se estendia do fim da Barão de Mesquita e do princípio da Barão de Bom Retiro até as abas do Pico do Andaraí, também conhecido como Ilhéu Grande ou Filhote do Pão de Açúcar – toda essa encantadora paisagem já então fixada nos primeiros quadros de Paula Fonseca, moradora na rua da Serra ou da Caixa d'Agua, mais tarde rebatizada como da Borda do Mato. As terras ao pé do Ilhéu Grande tinham pertencido no final do Oitocentismo a uma empresa industrial, provavelmente das muitas que se organizaram no Rio no Encilhamento, em 1891 e 92, e morreram sem deixar maiores sinais de sua existência quando da Revolta da Armada contra Floriano. Por elas passava o Rio Jocó, e ao instalar-se perto da Caixa d'Água o Pintor do Grajaú, os maiores proprietários locais eram Joaquim Marinho e Raul Teles Rudge, em cujos campos o Garcia e o Cardoso se dedicavam ao plantio de capim, como fornecedores da cavalaria do exército e a outros serviços de transporte de tração animal.(...).
(...) A urbanização da imensa área foi um empreendimento imobiliário do grupo francês do Credit Foncier, liderado pelo banqueiro Marcel Bouilleau Lafon, o do primeiro edifício de apartamentos da cidade, o Lafon, na avenida Rio Branco, esquina de Santa Luzia, e que depois da guerra seria também um dos pioneiros da ligação aérea entre a França e o Brasil. Associou-se ele ao Capitão de Engenheiros Richard e em poucos anos a companhia organizada por ambos converteu o que era um capinzal num dos bairros mais agradáveis da zona norte. A escola Duque de Caxias e o corpo de bombeiros funcionam nele em terrenos doados pelos dois, mas a igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, mais tarde erguida na Praça Edmundo Rego (nome de um magistrado carioca), foi principalmente uma iniciativa da Viúva Noêmia Fagundes em pagamento de uma promessa – embora desde 1918 o Grajaú já possuísse uma capelinha dedicada a N.S. da Conceição, é também por efeito de uma promessa, esta do arquiteto italiano Francisco Tricário, colaborador do Engenheiro Richard, e por ele construída na sua casa, na esquina da Barão do Bom Retiro e da Grajaú, palavra que no dizer de Agenor Lopes de Oliveira, na sua Toponímia Carioca, constitui uma alteração de “garajahú” por sua vez corruptela de “uirá-yá-hu”, pássaro ave para comer, “alusão também ao formato da pedra do mesmo nome, semelhante ao cesto oblongo que os índios utilizavam para transportar as aves que caçavam vivas”.
Mas não só os nomes indígenas se impuseram nas suas ruas e praças, e sim também os de pessoas ilustres, como o Engenheiro Richard (antes de sua morte chamada Maquine por causa da gruta descoberto em Minas pelo Dr. Lundu) e a Marechal Jofre, vencedor da batalha do Mane às portas de Paris; e Júlio Furtado, Diretor de Matas e Jardins da antiga Prefeitura por muitos anos (e no começo rua Caravelas); e a professor Valadares (que era o médico Francisco Valadares), além do jurista Edmundo Rego, na qual o Governo Lacerda inaugurou o Ginásio Paula Fonseca, em homenagem ao pintor que no Grajaú pintou quase todos os seus quadros. (...).
Tendo se desenvolvido, o bairro começou a ser atendido por uma linha de bondes elétricos que mais tarde, na segunda metade do século XX, veio a ser extinta, mantendo-se apenas ônibus.
O bairro possui ruas arborizadas e tranqüilas, constituídas de nobres residências, sendo algumas casas edificadas no início do século XX e que preservam parte de suas características originais, embora dividindo a paisagem com alguns edifícios de décadas mais recentes.
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| Bairro de ruas arborizadas |
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| Embora seja essencialmente residencial, o Grajaú dispõe de alguns estabelecimentos comerciais para atendimento do mercado local, tendo boas escolas, entre as quais destaca-se uma tradicional instituição de ensino de orientação católica, o Colégio da Companhia de Maria e a Escola de Idiomas Fisk. |
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| Curso de Idiomas Fisk. |
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| Dentro do bairro localiza-se a Reserva Florestal do Grajaú, criada em 1978 como uma reserva ambiental e que, no final de 2002, foi enquadrado na categoria de parque pelo breve governo de Benedita da Silva, a fim de que a unidade de conservação fosse mais bem adequada ao SNUC, em cumprimento à legislação federal. |
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| Reserva Floresta do Grajaú |
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| Entrada do parque |
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Recentemente, a Prefeitura do Rio tem incentivado o turismo no bairro que sempre foi procurado por praticantes do montanhismo que se aventuram a subir a Pedra do Andaraí (ou Pico dos Perdidos do Andaraí, situada no Reserva Florestal do Grajaú, e que é considerada o principal símbolo da localidade).
A Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro também faz parte dos atrativos da localidade. |
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Fontes:
www.wikipedia.com
Bibliografia:
“História das Ruas do Rio” – Brasil Gerson
Fotos:
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| Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro |
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